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Atlas de Ecografia Oftálmica
Vol I - Ecografia do Segmento Posterior
10 – ÓRBITA E NERVO ÓTICO
A avaliação ecográfica não fica completa sem o
estudo da ecogenicidade das várias estruturas
presentes na órbita:
•
Tecidos moles
que incluem gordura, vasos,
nervos e septos fibrosos e são responsáveis
pelo padrão de alta refletividade presente
atrás do GO.
•
Músculos oculomotores
, cujas fibras mus-
culares apresentam uma estrutura interna
muito homogénea, regular e de baixa refleti-
vidade. Assim, o contraste com a gordura or-
bitária e a cápsula deTenon que são muito re-
fletivas, facilita a análise da sua morfologia e
dimensões. A alteraçãomais frequentemente
encontrada é o espessamento muscular.
•
A porção intraorbitária do nervo ótico
é
uma estrutura homogénea, tubular, em forma
de S, hiporrefletiva em relação à gordura orbi-
tária envolvente. Usando a técnica adequada,
a ecografia ajuda a distinguir anomalias do
NO associadas a malformação, inflamação,
infeção, tumor ou traumatismo.
10.1. TUMORES E OUTRAS LESÕES DA
ÓRBITA
De uma forma geral as
lesões sólidas
ou
quís-
ticas
que afetam a porção anterior da órbita e
nervo ótico estão frequentemente associadas
a proptose unilateral e alterações secundárias
como distorsão da gordura orbitária, MOM e NO,
edema, aplanamento do polo posterior e pregas
da coroideia (fig 89 a-b-c). Apesar de algumas
destas lesões apresentarem características eco-
gráficas específicas, a maioria das vezes é ne-
cessário recorrer a outras técnicas imagiológicas
que permitam a avaliação de toda a cavidade or-
bitária, seios perinasais e via ótica (fig 89 d).
O exame ecográfico possibilita a avaliação da
morfologia
e
perfil acústico
dessas lesões:
• Lesões redondas bem delimitadas e com boa
transmissão do som correspondem geral-
mente a
lesões quísticas
– mucocelo, he-
mangioma cavernoso, quisto dermóide, ade-
noma da glândula lacrimal.
• Lesões redondas bem delimitadas e com
má transmissão do som correspondem ge-
ralmente a
tumores sólidos
– meningioma,
glioma, neurofibroma, adenocarcinoma da
glândula lacrimal, rabdomiossarcoma.
• Lesões difusas e com boa transmissão do
som correspondem geralmente a
tumores
angiomatosos
– hemangioma capilar, linfan-
gioma.
• Lesões difusas e com má transmissão do
som correspondem geralmente a
tumores
infiltrativos
– linfoma, mestástases, pseudo-
tumor.
10.1.1.TUMORES NEUROGÉNICOS
O
glioma
é um tumor derivado da glia que atinge
a via ótica, predominantemente o quiasma (76%)
e o NO (24%). Atinge crianças na 1ª década de
vida, está muitas vezes associado a neurofibro-
matose e nestes casos tende a ser bilateral. Pro-
voca baixa da acuidade visual lenta e progressiva
e quando envolve o NO manifesta-se por propto-
se axial indolor e edema do DO, com evolução
para atrofia ótica.
O
meningioma do NO
é um tumor derivado da
aracnoideia, ocorre em adultos entre os 30-50
anos e pode estar também associado a neuro-
fibromatose. Provoca baixa da acuidade visual
lenta e progressiva, proptose axial indolor, edema
e/ou atrofia do DO. Em 30% dos caso pode ob-
servar-se a presença de
shunts
optociliares a
nível do DO.
• Na ecografia surgem como tumores sólidos,
redondos, bem delimitados anteriormente, de
baixa refletividade e estrutura interna homo-
génea.
• Os limites posteriores são difíceis de definir
pois envolvem frequentemente todo o NO,
pelo que devem ser estudados com RMN.
• Induzem alteração da morfologia e aumento
da espessura do NO com edema e podem
apresentar calcificações no seu interior (me-
ningioma) (fig 90).