IOVS, Special Issue 2011, Vol.52, nº4
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associação entre a DGM e o olho seco seriam benéficos,
como também ensaios observacionais para avaliar a
história natural da DGM. Seria especialmente valioso um
questionário sobre sintomas padronizado que pudesse
fazer a descriminação entre a doença da pálpebra da DGM
e a doença do olho seco.
•
Também seria desejável desenvolver formas alternati-
vas/indirectas de avaliar/testar a DGM. Medições pre-
cisas e repetíveis dos sintomas são um valor evidente
como medida dos resultados, bem como directamente rel-
evantes para a saúde do paciente. As medidas quantitativas
da doença também podem ser úteis, especialmente se se
puder demonstrar que a inversão melhora a saúde a longo
prazo. Os exemplos incluem ferramentas que podem me-
dir directamente a camada lipídica do filme lacrimal; inter-
ferometria; OCT (tomografia de coerência óptica) de alta
resolução; ferramentas que podem medir a função visual,
deterioração da acuidade visual entre dois pestanejos; e
ferramentas que podem discriminar diferenças no mei-
bum. Crucial no entanto seria realizar em primeiro lugar
os estudos clínicos que demonstram a correlação entre os
resultados desses testes e os resultados clínicos como sin-
tomas ou sinais.
Geralmente, os ensaios clínicos mais adequados para a
avaliação dos tratamentos da DGM são prospectivos,
aleatórios, controlados com dupla ocultação. Até hoje,
poucos ensaios têm seguido esses critérios, e não se sabe
quando, ou se algum dia, os resultados desses ensaios em
curso serão publicados.
Sugerimos as seguintes principais prioridades para futuros
ensaios clínicos sobre DGM:
•
Determinar a história natural da DGM,
•
Esclarecer a associação entre DGM e doença do olho
seco,
•
Desenvolver um questionário específico e validado para
sintomas da DGM,
•
Criar uma classificação padronizada para a pálpebra e
outros sinais na DGM,
•
Avaliar a viabilidade e o valor clínico dos
biomarcadores dos lípidos e das proteínas, e
•
Validar resultados clínicos de substituição relacionados
com a DGM.
Isto também é válido para o uso de hormonas sexuais em
que não há evidências de ensaios clínicos publicados quanto
à sua eficácia e não existem produtos autorizados disponí-
veis. Por isso, o painel decidiu não atribuir esta modalidade
de tratamento potencial a um grau de doença. Os riscos da
terapia tópica crónica com corticosteróides (ex. indução da
catarata, pressão intra-ocular elevada) são bem conhecidos.
Consequentemente, o uso de tais medicamentos deve ser
reservado ao tratamento das exacerbações agudas da DGM
e esses não foram recomendados como terapia de doença
crónica. Um controlo regular da pressão intra-ocular é obri-
gatório com o uso de corticosteróides tópicos.
A gestão das condições “Doença Mais” deve seguir deter-
minados padrões e não se limita aos tratamentos referidos
na Tabela 4.
Ensaios Clínicos
Existem limitações significativas na avaliação da literatura
disponível sobre metodologia dos ensaios clínicos na
DGM. A falta de consenso na terminologia e a ampla
gama de testes clínicos realizados nos ensaios clínicos
envolvendo as glândulas meibomianas e a pálpebra criam
discórdia na comparação dos resultados entre os estudos.
A Tabela 5 apresenta uma visão geral das áreas tópicas em
ensaios clínicos (objectivos, elaboração, amostra, inclusão,
exclusão, resultados, tratamentos e concepção estatística)
que foram revistos nos 26 trabalhos identificados como
ensaios clínicos envolvendo a DGM.
A recomendação para a elaboração de ensaios clínicos
específicos para a DGM é de incluir objectivos bem
definidos. Esses objectivos devem ser claramente
enunciados e permitir responder de forma específica
e concisa às perguntas. As questões / considerações
importantes e básicas a levar em conta na elaboração dos
ensaios clínicos sobre DGM são:
•
Elaboração de estudos para fazer a distinção entre DGM
e doença do olho seco. A revisão de ensaios clínicos sobre
DGM sugerem que não existe um consenso claro; alguns
estudos incluem indivíduos com olho seco, enquanto
outros os excluem e outros ainda descuram totalmente
o estado da superfície ocular. Os estudos que avaliam o
papel provável da DGM no olho seco com deficiência
aquosa e a sobreposição dos dois seriam bem-vindos.
•
Dado que existe uma incerteza considerável entre a
DGM e a doença do olho seco, os ensaios que avaliam a